ulsar entrevista uspasA criação da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR) em 2024 suscitou desafios e oportunidades para a Unidade de Saúde Pública Arnaldo Sampaio (USPAS), motivando a reflexão sobre as perspetivas futuras. Que desafios?
Um dos maiores desafios da USPAS, após a criação da ULSAR, foi a adaptação à nova estrutura, modelo de gestão e dinâmica de trabalho. A integração da USPAS no “modelo ULS” exigiu um esforço considerável de toda a equipa, tanto na implementação de novos procedimentos e aplicações informáticas, como na adaptação à nova cultura organizacional. Foi necessário percorrer um caminho, por vezes difícil, com novas hierarquias, responsabilidades e formas de trabalhar. Esta mudança cultural exigiu comunicação transparente, diálogo aberto e investimento num ambiente de trabalho colaborativo.

Garantir a coesão da equipa e superar a resistência à mudança dos profissionais, com as suas distintas motivações, constitui ainda um desafio permanente. A comunicação eficaz entre os diversos serviços e profissionais da USPAS revelou-se igualmente uma barreira a ultrapassar. Paralelamente, a USPAS empenhou-se no reforço do seu âmbito de intervenção e responsabilidades na ULSAR, assegurando a continuidade da sua identidade institucional e missão de proteger e promover a saúde e prevenir a doença da população, visando a melhoria do seu nível de saúde e bem-estar, em todo o ciclo de vida, respondendo às necessidades em saúde e estabelecendo um compromisso social para a saúde.

Que oportunidades?
Apesar dos desafios enfrentados, a criação da ULSAR possibilitou à USPAS a capacidade de prosseguir com o desenvolvimento e implementação de programas de Saúde Pública, com impacto na saúde e bem-estar da população da área do Arco Ribeirinho. Esta continuidade assegurou a intervenção efetiva em domínios cruciais, como a prevenção de doenças transmissíveis e não transmissíveis, a vigilância ambiental e a promoção de estilos de vida saudáveis.

A complementaridade na ação, entre os diferentes serviços e unidades funcionais da ULSAR e a sua participação nos Conselhos Locais de Saúde e Conselhos Locais de Ação Social, constituiu uma mais valia para a monitorização do estado de saúde da população e seus determinantes. Esta sinergia contribuiu para a consolidação da informação em saúde, para a implementação de medidas preventivas e de controlo mais efetivas nas situações que coloquem em risco a saúde pública e para o desenvolvimento de programas de promoção da saúde. Estes programas, estruturantes da atividade dos serviços locais de saúde pública, visam aumentar a literacia em saúde, capacitando indivíduos e comunidades para a gestão da sua própria saúde.

De referir que a ULSAR, ao promover uma abordagem integrada, tem reforçado o compromisso com a continuidade de cuidados, centrados no cidadão.

Que perspetivas futuras?
A criação da ULSAR abre um vasto leque de perspetivas futuras, tanto para a USPAS como para a ULSAR e para a população do Arco Ribeirinho:
- Melhoria da qualidade dos dados em saúde - ao proporcionar o acesso a dados e a recursos partilhados facilitará a elaboração de informação e planos no domínio da saúde pública, que contribuirão para o planeamento estratégico em saúde no Arco Ribeirinho, o qual deverá ser desenvolvido de forma participativa e deve orientar e facilitar a governação da saúde a nível local, envolvendo diferentes stakeholders, dentro e fora do sector da saúde. Integrar esses dados no contexto do Plano Local de Saúde e das Estratégias Municipais de Saúde potencializará a capacidade de resposta. Paralelamente, será possível dirigir as intervenções, promover a eficácia das políticas e garantir que os recursos sejam utilizados de forma mais eficiente, contribuindo para uma saúde pública mais sólida e baseada na evidência.

- Reforço da vigilância epidemiológica – ao possibilitar a interoperabilidade dos sistemas, o acesso a dados em saúde, quer dos cuidados primários quer dos cuidados hospitalares, e o desenvolvimento da vertente epidemiológica dos programas de vigilância sanitária, potenciará, nomeadamente, a vigilância das doenças transmissíveis e não transmissíveis e a resposta a surtos e pandemias.

- Integração de programas de promoção da saúde – ao facilitar a colaboração multidisciplinar, com a complementaridade de competências profissionais, permitirá a criação de programas mais eficazes, sem duplicação de atividades. De referir que esta integração contribuirá para aumentar a efetividade dos programas de intervenção comunitária desenvolvidos pela USPAS em parceria com as autarquias, associações, estabelecimentos de educação e ensino, academias sénior e outras estruturas da comunidade.

- Reforço do desenvolvimento e valorização profissional – A formação, pilar fundamental neste processo de mudança organizacional, deverá ser reforçada, permitindo que os profissionais atualizem os seus conhecimentos e competências de acordo com as necessidades. Paralelamente, deverá ser fomentada a interação entre os profissionais de diversas áreas, através da troca de conhecimentos e de práticas, o que contribuirá para um melhor desempenho da ULSAR e estimulará um ambiente de aprendizagem colaborativo.

Para terminar, será importante referir que a criação da ULSAR representou um marco importante na trajetória da USPAS. Porque “Juntos Cuidamos”, apesar dos desafios e das oportunidades, acreditamos que poderemos contribuir para a construção de um futuro promissor em prol da saúde da população do Arco Ribeirinho.